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Agricultura

Chibanca é utilizada na agricultura e mostra versatilidade no campo

Ferramenta manual, a chibanca possui extremidades diferentes, aumentando suas funções. A chibanca pode ser encontrada em diferentes tamanhos e forjada em diversos materiais. Entretanto, de maneira geral, é uma ferramenta manual bastante resistente.

Utilizada nas plantações, a chibanca também pode ser útil na construção civil, jardinagem, geologia e em campos de mineração. No meio rural ela tem funções na hora de plantar, colher e capinar.

  1. O que é chibanca?
  2. Características da chibanca
  3. Por que a chibanca é útil?
  4. Chibanca ou alvião?
  5. Curiosidades sobre a chibanca
  6. Diferença entre chibanca e picareta
  7. Importância da chibanca no campo
  8. Como fazer uma chibanca
  9. Como encabar uma chibanca?
  10. Quanto custa uma chibanca?
  11. Principais instrumentos usados no campo
  12. Evolução dos equipamentos agrícolas
  13. Pioneirismo norte-americano?
  14. Evolução dos equipamentos agrícolas no Brasil


O que é chibanca?

Chibanca, também conhecida como picareta chibanca, é um instrumento que possui duas pontas: uma das extremidades tem formato de pá, é mais larga e achatada. Sua lâmina é utilizada para capinar terrenos ou revolver a terra.

Na outra extremidade fica o machadinho, que pode fazer perfurações no solo, cortar raízes mais resistentes ou, ainda, escavar pedras na terra, por exemplo.

Características da chibanca

Mais estreita e menor do que uma pá tradicional, a chibanca pode ser classificada como  um tipo de picareta. Com cabo reto de madeira, ela é comumente forjada em aço ou ferro.

A ferramenta pode ser bastante funcional em uma propriedade agrícola e atender às necessidades manuais do trabalhador. No campo, ela geralmente é utilizada em plantações, para fazer covas, capinação e ainda retirar raízes ou galhos mais profundos da terra.

Por que a chibanca é útil?

Devido ao leque de opções e funcionalidades da ferramenta, ela pode ser encontrada nos mais diversos segmentos. Confira:

Chibanca ou alvião? As semelhanças entre os instrumentos

Conforme conta a história, a palavra alvião era utilizada para identificar qualquer ferramenta que tivesse dupla função. Portanto, instrumentos com duas extremidades diferentes seriam chamados de alviões.

A palavra é antiga, surgiu no império romano onde instrumentos deste tipo eram muito utilizados. Até hoje, algumas pessoas usam o termo alvião para identificar uma família de ferramentas. Dentro desta família estariam as picaretas, martelinhos e chibancas.

O alvião, entretanto, também pode ser identificado como um instrumento manual – muito semelhante à chibanca, apenas de tamanhos diferentes. Apesar de bastante parecidos, a picareta alvião seria um pouco maior.

Curiosidades sobre a chibanca

Registros relatam que a chibanca, ou instrumentos de ponta dupla, existem deste dos primórdios da humanidade. As primeiras ferramentas construídas pelos humanos eram pedras amarradas com couro em pedaços de madeira.

Com a descoberta do cobre, os instrumentos começaram a ser fabricados de forma mais profissional. Deixaram, assim, de ser peças arcaicas e artesanais por volta dos anos 4 mil AC.

Durante a Idade Média sua utilidade foi se popularizando entre as profissões, como ferreiros, marceneiros e agricultores. Por fim, foi a partir do século XIX que a chibanca foi desenvolvida e concebida da forma como é utilizada até hoje.


Diferença entre chibanca e picareta

Como vimos acima, a chibanca é considerada um tipo de picareta, uma variante, por isso apresenta muitas semelhanças. Isso explica o fato de ser confundida e em alguns casos tratada como se fosse sinônimo do objeto mais popularizado, no entanto, apesar das semelhanças, há diferenças.

Como já definimos o que se trata exatamente uma chibanca de ferro, cabe explicar o que é uma picareta, apesar de, sem dúvida, ser mais conhecida por grande parte do público.

Contudo, a maior parte da população vive nas cidades e vivemos em um mundo completamente diferente em relação ao início do século passado e até mesmo no do presente. Portanto, não é de causar surpresa o total desconhecimento de parcela considerável da população sobre a vida, trabalho e materiais usados no campo.

Acresce ainda que o termo é conhecido em outras regiões do país como sinônimo de pessoas desonestas.

Para demolir imprecisões e dúvidas, uma breve descrição sobre o que é uma picareta: a picareta é uma ferramenta de trabalho muito usada em atividades agrícolas, principalmente para destruir e explorar rochas.

Ela é basicamente feita por uma cabeça de metal pontiaguda fixada em um cabo de madeira.

Nesse aspecto, muito semelhante à chibanca de ferro, contudo, conta com apenas uma extremidade funcional.

Como vimos anteriormente na explicação sobre o que é chibanca, esse objeto apresenta duas extremidades distintas aplicáveis no trabalho agrícola, jardinagem e na construção civil: uma pá com lâmina semelhante a uma enxada e um pequeno machado para cortar matos, raízes, etc.

Portanto, apesar das semelhanças e das aplicações nas mesmas áreas, há uma clara diferença, que se concentra fundamentalmente na cabeça de ferro.

Importância da chibanca no campo

Até aqui pôde-se se aprender bastante sobre o que é chibanca, sua utilidade, vantagens, utilização na agricultura e em outras áreas. Mas isso tudo é apenas o começo, pois há ainda muito que acrescentar sobre o tema, seja abordando-o diretamente ou assuntos relacionados.

Por exemplo: você sabe montar uma chibanca? É boa opção para quem está enfrentando dificuldades para encontrar uma.

Você sabe quais são os principais instrumentos usados no campo? E quais eram usados antigamente, na agricultura pré-industrialização?

Quem foram os responsáveis pela evolução do trabalho de tração manual, muscular, pelo da força mecânica e quando tal evolução ocorreu?

Como o desenvolvimento do setor agroindustrial ocorreu no Brasil e por que levou mais tempo do que outros países para usufruir das inovações tecnológicas?

Essas e outras questões mereceram tópicos exclusivos que se desenvolvem abaixo. Portanto, se ficou curioso com algumas dessas questões, basta prosseguir na leitura.

Como fazer uma chibanca?

Foi pesquisar por chibanca em comércios locais ou em sites da internet e não encontrou o que queria ou pelo preço que gostaria?

Viu a peça e concluiu que talvez não seja tão complicado você mesmo fazer uma e gastando bem menos do que o encontrado? Se sente plenamente capaz de montar uma, basta receber as orientações corretas?

Naturalmente é necessário habilidades de forja e maquinário adequado para tanto. Se você não tiver nenhum desses requisitos, é melhor pensar bem se vale a pena.

Como vimos, a chibanca é muito parecida com uma picareta, é considerada da mesma família. Seu diferencial é uma das extremidades que se assemelha muito a uma enxada que serve para capinar e revolver o solo.

Como fazer essa “enxada”?

Ela pode ser feita de disco de trator.

Arranque um pedaço retangular do disco. A seguir use uma solda para anexar a forma da chibanca, no entanto, antes você pode trabalhar o formato do disco com uma lixadeira para deixá-lo, por exemplo, com extremidade triangular.

Nesse caso, é importante amolar a peça antes da solda. Não se esqueça de colocar a viseira antes de fazer o trabalho de soldagem.


Como encabar uma chibanca?

Independente de você está fazendo ou não a sua própria ferramenta, será necessário encabá-la, isto é, colocar um cabo na chibanca.

Sim, mesmo se você comprá-la com forja e cabo prontos, será necessário fazer esse trabalho de encaixe de uma peça na outra.

Muita gente não sabe fazer esse procedimento, o que pode ser muito perigoso.

Afinal, não é nada seguro começar a usar a ferramenta e de repente a forja se desprender do cabo.

Essa, sem dúvida, é a parte mais fácil. Mesmo se não tiver habilidades de ferreiro ou para trabalhos manuais não terá grandes dificuldades uma vez tendo o material necessário em mãos.

Colocando o cabo

Separe a forja, o cabo e duas tiras de câmara de ar de carro ou de caminhão.

Introduza o cabo na cavidade da forja e a faça descer um pouco acima da metade do madeiro.

Coloque as tiras nas laterais da forja, entre o cabo e o ferro. Dobre as pontas para baixo de modo a encapar o material ferroso.

Levante a forja vagarosamente e mantendo as dobras. Tenha cuidado com os dedos. Quando chegar até o final, vire o cabo de todo para deixar as extremidades afiadas de ponta cabeça.

Bata a peça repetidas vezes no chão para garantir o encaixe. Coloque-a na posição normal e verifique se a forja se mantém na ponta e estável.

Para se certificar, jogue a chibanca no chão e confira se as peças não se desprendem. Até pelo som do impacto poderá perceber se o encaixe foi bem sucedido.

Se tudo correu bem, pode pegar uma faca ou estilete para cortar os excessos das tiras. Isso ajuda a ter visual mais atraente.

Caso o encaixe não tenha sido bem sucedido, não tenha passado nos testes de resistência e impacto, repita o procedimento e seja mais cuidadoso com as dobras e com a condução até o extremo do cabo.

Quanto custa uma chibanca?

Caso tenha curiosidade sobre os valores praticados no mercado quanto ao preço de uma chibanca, seja por razões comerciais ou de trabalho no solo, o preço varia de R$ 40 a R$ 70.

Principais instrumentos usados no campo

Aproveitando que o tema deste artigo de trata de uma ferramenta tradicional e muito usada no campo, na construção civil e em outros setores, vale mencionar quais são as outras ferramentas usuais no campo e o tipo de função que exercem.

Talvez uma das peças mais populares e certamente uma das mais antigas. Além de “enxada” é conhecida como sacho, guatambu, sachola.

A enxada consiste em uma lâmina de metal com um orifício na parte oposta ao gume. Nesse orifício se encaixa um cabo em sentido perpendicular.

Ela é comumente usada para capinação e escavação de terra. Também é recorrida para movimentar areia e argamassa em construções.

Segue o mesmo princípio da enxada. É uma lâmina com orifício na parte oposta na qual é inserido um cabo para manusear a parte cortante. No entanto, essa lâmina é curva, sem dúvida, uma de suas características mais marcantes.

É usada no campo para retirar pequenos galhos. Além disso, é útil para corte de pasto e na colheita de algumas culturas.

Curiosidades: a foice está tão atrelada ao trabalho de campo que o símbolo do comunismo se utiliza de sua imagem para representar a figura do camponês. O martelo do símbolo, “foice e martelo”, representa os trabalhadores da indústria.

A foice também é muito associada ao mito da morte, uma entidade imortal que carrega uma foice para atacar mortalmente suas vítimas e as levar para o outro plano da existência.

Sem dúvida, uma das ferramentas mais populares, seja no campo ou não, figurinha certa e indispensável em uma caixa de ferramentas.

É a ferramenta mais usada pelos carpinteiros e praticamente permanece a mesma desde que foi concebida, desenvolvida e implementada: há 6 mil anos!

E tem uma explicação para tão poucas mudanças ao longo de milênios: assim como a roda, o seu design é perfeito.

O martelo unha é uma combinação de madeira, aços e fibras.

A cabeça de aço dessa ferramenta tem duas extremidades: uma delas é plana, feita para bater em outros objetos e pregar, e outra curva com uma fenda no meio, feita para retirar pregos ou materiais macios como madeira.

É usado principalmente em oficinas de marcenaria e carpintaria, mas pode ser bem empregado em qualquer área ou localidade que necessite fixar tábuas ou montar objetos.

Por isso, uma ferramenta praticamente onipresente, pois toda casa, apartamento, sítio, etc, sempre necessita desse tipo de trabalho.

Outra ferramenta símbolo de trabalhos de marcenaria e carpintaria. É uma ferramenta de corte.

Se trata de uma lâmina larga, portátil, que pode ser operada com apenas uma das mãos, com dentes afiados e travados usada principalmente para cortar madeira.

Madeira, por sinal, que costuma ser empregada para fazer o seu cabo.

Um cuidado para preservar os dentes do serrote e consequentemente prolongar a vida útil da ferramenta é evitar fazer movimentos curtos e irregulares.

Tais movimentos causam efeito de desgastar os dentes de maneira desigual, ocasionando o problema de parte do serrote permanecer afiado e outro não, o inutilizando, portanto, para a maioria dos trabalhos que necessitem de seu uso.

É uma espécie de alicate, porém com cabos bem mais compridos, usado para pegar objetos metálicos e quentes à distância. Por isso, é apropriada para se trabalhar com ferraduras, pois além de mais segura é mais resistente.

Evolução dos equipamentos agrícolas

Apesar de muitas das ferramentas citadas, dentre elas a chibanca, ainda serem usadas em atividades no campo, muitas delas se tronaram dispensáveis por parte dos grandes proprietários rurais.

A Revolução Industrial promovida pela Inglaterra do século XVIII foi a peça central para o salto tecnológico dos equipamentos agrícolas e consequentemente aumento da produtividade.

Foi nesse período o momento de ascensão das grandes indústrias e migração de um grande contingente de cidadãos do campo para as cidades em busca de uma oportunidade profissional.

Como consequência, o trabalho agrícola perdeu mão de obra. Um problema, considerando que o crescimento populacional continuou em ritmo acelerado.

Para sanar esse problema, as soluções encontradas por meio do aprimoramento tecnológico para viabilizar indústrias de outras áreas passaram a migrar para o campo.

O resultado foi o desenvolvimento de maquinário que pôde substituir muita mão de obra por ser capaz de executar sozinho o trabalho de vários trabalhadores.

As primeiras máquinas criadas foram as segadeiras, também conhecidas como ceifadeiras, máquina usada para colheita de grãos. Isto em 1780 na Grã-Bretanha e nos EUA.

Outro maquinário considerado de grande inovação foi a máquina de tirar caroço do algodão. A retirada do caroço demandava muita mão de obra e tempo. Com o advento desse equipamento, o processo se tornou mais rápido e econômico.


Pioneirismo norte-americano

Na segunda metade do século XIX, os EUA passaram a ser o centro da inovação tecnológica no campo. Foram os norte-americanos, por exemplo, os responsáveis pela evolução da tração humana e animal para a mecânica.

Eles recebem o crédito por terem implementado o trator e outras máquinas movidas a vapor no campo.

A ideia de mecanização dos trabalhos agrícolas já era considerada o futuro a ser buscado no início do século XX nos EUA, mas foi somente após a Segunda Guerra Mundial que a tração manual foi substituída totalmente pela força mecânica. O mesmo nos principais países europeus (a Itália foi mais tardia para abandonar processos manuais).

As principais máquinas usadas no campo atualmente e que dispensam boa parte das ferramentas tradicionais, assim como muito de mão de obra, são:

Evolução dos equipamentos agrícolas no Brasil

Como o Brasil está situado em um continente periférico e subdesenvolvido, tem mais dificuldades para investir em inovações tecnológicas.

Por isso, necessita aguardar que as novidades do setor agrícola sejam disseminadas em seus países de origem, e em seus principais parceiros comerciais, para começar a usufruir dessas inovações.

O que explica o atraso que teve em relação a outros países para abandonar processos obsoletos e se inserir na modernidade.

A evolução para a força mecânica no setor agroindustrial brasileiro veio a ocorrer fortemente somente a partir da década de 1950, no Governo JK.

Em 1959 foi instituído o Plano Nacional da Indústria de Tratores de Rodas, evento que marcou definitivamente a entrada do país na mecanização agrícola. Assim, passamos a investir mais em tratores do que em ferramentas como a chibanca.

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